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· 9 Julho 2008 | fonte

Dirias que a tua música estabelece uma posição entre a estrutura clássica e o pop moderno?
Sim, definitivamente! É engraçado porque eu sempre gostei de pop sentimental. Embora eu venha de antecedentes do piano clássico. Então, deixei de escrever as minhas próprias peças, e comecei a escrever músicas pop. Este álbum não tem tanto piano como os meus outros álbuns tinham. No entanto, o primeiro single tem definitivamente a minha marca. Eu vou sempre ter este estilo de escrita nos meus álbuns; é apenas algo que eu faço.

Para ti, onde é que o processo criativo normalmente começa?
As músicas começam sempre com o piano. Eu escrevi músicas que começam com baixo ou outros instrumentos, mas eu diria que 95% das músicas começam com o piano. As músicas têm de vir de mim. Dessa maneira, eu sinto-me emocionalmente ligada a elas. Se eu tentar e colaborar com outras pessoas, eu posso tirar ideias com eles, mas as músicas têm sempre que vir de mim. Eu prefiro realmente uma música que comece e cresça disso. É importante criar cores. Para mim, é como se fosse pintar.

Parece que uma música extremamente pessoal iria necessitar definitivamente de uma ligação muito forte.
É realmente importante contar histórias, e eu sinto que tenho muito de que falar. Com cada experiência vem a compreensão e a nova empatia. Tu podes-te relacionar com um novo grupo de pessoas após cada experiência. Eu gosto mesmo de ser capaz de superar alguma coisa, compreende-la e depois escreve-la numa música.

Tu também tens feito isso por um tempo.
Eu conheço muitos outros artistas que têm feito isso por mais tempo, porque eu só tenho 23 anos. Contudo, eu sinto que tenho crescido na indústria. Eu sou da Austrália, e parece que lá sempre fui uma artista, mas toda a gente diz, “Tu tens apenas 23!”. Eu tenho estado lá com uma editora desde os meus 14 anos. Tenho um manager desde os 13, e apareci na televisão pela primeira vez quando tinha 7 anos. Os meus pais não têm nada a ver com a indústria. Eles foram apenas maravilhosos apoiantes. Eles não fizeram nada a não ser encorajarem-me e apoiarem-me. Eles nunca desencorajaram os meus sonhos. Eles dizem-me que alguma coisa que valha a pena fazer, vale a pena fazer bem.

"Believe Again" é a abertura perfeita do álbum. Faz realmente com que o ouvinte se entusiasme.
Estou tão orgulhosa. É engraçado porque eu escrevi-a quando estava na Irlanda mesmo antes do Natal de 2006. Depois do meu segundo álbum, na Austrália, eu não tenho escrito tanto quanto queria. Normalmente eu escrevo muito, mas parei por um segundo lá. Naquele tempo, eu penso que não recuperei propriamente de ter passado muito com o divórcio dos meus pais e com todas as outras coisas que aconteceram. Quando eu escrevi a música, ela dizia exactamente como eu me estava a sentir. Acabei por voltar para a Austrália nas férias para ver os meus pais. Muita coisa mudou por causa do divórcio. Mesmo assim, eu sabia que iria ser um bom Natal. Pela primeira vez, tive de por tudo para trás das costas, e senti que estava pronta para seguir em frente. Então eu escrevi “Believe Again”. Esta música tornou o álbum numa nova direcção. Eu comecei mesmo a acreditar outra vez. Depois do Natal, escrevi “In This Life” e “Angels in the Room”. Depois, literalmente, o álbum escreveu-se. Usámos violinos e outros instrumentos de cordas para o início da música. Era uma grande orquestra, e foi incrível. Eu gosto mesmo desta música. Eu apenas canto estas melodias, e queria que fosse algo que as pessoas pudessem ouvir e dizer, “Sim, eu acredito outra vez. Eu acredito em mim, e acredito no meu trabalho”. Eu adoro a mensagem desta música.

Qual é a história por trás de "God Laughs"?
Bem, foi sobre a separação dos meus pais. Eles estiveram juntos a minha vida inteira, e isso só aconteceu nestes últimos anos. Eu escrevi sobre esse assunto porque há muita gente no mundo a passar por isso, e eu soube a emoção que senti nessa situação. A vida pode mudar dramaticamente, e eu queria explorar isso nesta música. É engraçado porque tenho tido muitas pessoas a escrever e a dizer, “Delta, querida, Deus não se está a rir de ti!” [risos]. E eu, “Não, eu digo isto de uma maneira realmente positiva!” [risos].

"Angels in the Room" encaixa como uma conclusão coesiva para o álbum.
Eu estou sempre interessada em falar sobre a vida, e nós estamos a falar sobre o universo e quem, o quê, onde e porquê. Eu falo muito sobre a vida nas minhas músicas. Eu adoro tudo o que tenha a ver com a psicologia das pessoas. “Angels” fui eu a imaginar-me a cantar em frente a todas as pessoas que me apoiaram e disseram, “There must be angels in the room”.

Esta música tem também uma qualidade cinematográfica.
"Angels in the Room" podia passar na série “Anatomia de Grey”. É o meu programa de televisão favorito [risos]. Eu adoro esta série, e adorava que uma música minha passasse nela.

Mesmo estando numa situação estável na Austrália, de certa maneira estás a começar de novo nos EUA. É entusiasmante?
Mal posso esperar pela tour na América. Tu precisas apenas de te apresentar às pessoas uma vez, e esse processo de descoberta para um artista é realmente bonito. É bom começar de novo. É engraçado. Tu tens de ter essa experiência e aproveitar todo o processo outra vez.